Quando estar concentrado é mais difícil do que fazer uma equação de 3ºgrau

Inês Teixeira
Redatora com Futuro
3 Maio 2018

“Vá, é agora que vou estudar para o teste”. Barriguinha cheia, família entretida o suficiente para não interromper nada, secretária arrumadinha, computador com bateria, tudo a postos para iniciar uma tarde de estudo intensiva. (Até porque muitas vezes é a última que temos para aquele teste). E nos primeiros minutos tudo está a correr lindamente: lês tudo, fazes apontamentos e na tua cabeça tudo está a fazer sentido, a entrar que nem uma luva. 

De repente ouves o vibrar do telemóvel, mas já reconheces - é daquele grupo do WhatsApp que não interessa muito ver agora. E mais uma, e outra, e os teus amigos já não se calam a fazer perguntas sobre o teste e a matéria. 

“Ah, vá, isto até pode ser importante para o meu estudo”. E esqueces os livros e começas a vidrar naquela conversa que a certa altura já está mais focada em “tu guarda-me um lugar ao teu lado assim que chegares” do que em discutir realmente aquilo que estás a querer decorar. Pões o telemóvel em silêncio e voltas à concentração máxima. Mais uns minutos de total imersão nos livros e lembras-te de que estudar com música é sempre mais divertido. ERRO. Começas a vaguear no Youtube e acabas em vídeos de gatinhos tão fofos que não dá para não olhar. 

Nada parece resultar, há sempre qualquer coisa que te distraí, tens fome mesmo quando acabaste de comer, tudo na televisão, no telemóvel e no computador é mais interessantes do que os livros, as notificações são mais irresistíveis que nunca e até pensar no que vais fazer nos teus anos daqui a 4 meses te chama mais atenção que aquele exercício 2 do Livro de Exercícios. Mas não te preocupes: não estás condenado a ser um cérebro disperso para sempre. Começa por fazer-te estas quatro perguntas e vais ver que tudo se torna mais fácil:

Há quanto tempo não faço uma pausa?

As pausas são extremamente importantes para um estudo produtivo.  Quando os nossos estímulos externos – como o que vemos e ouvimos – permanecem os mesmos, o nosso cérebro vai gradualmente parando de registar esses estímulos. Nós prestamos sempre mais atenção a coisas novas. Por isso, não vale a pena ficares horas a olhar para o mesmo livro, levanta-te, estica as pernas e foca o teu cérebro noutra coisa para depois voltares ao trabalho afincadamente. 

Estou realmente descansado ou esta vontade toda é dos 3 cafés que bebi ao almoço?

Recuperar o sono durante o fim-de-semana não chega, e a necessidade de dormir varia muito de pessoas para pessoa. Um estudo da Harvard Medical School descobriu que, mesmo com 10 horas extras de sono, a capacidade de concentração dos participantes era menor do que daqueles que recebiam um sono consistente durante a semana. Portanto, dá importância aos teus momentos de descanso. Dormir muito não faz recuperar o sono perdido.

O que é que tenho comido?

Não deve ser nenhuma novidade para ti, mas aquilo que comes pode realmente afetar a tua capacidade de concentração. Alimentos muito gordurosos fazem com que o teu corpo necessite de trabalhar mais, logo, ficas com menos energia. Aquela vontade irresistível de fazer uma sesta depois do almoço, sabes? É por aí. Está provado que alimentos como legumes e frutas nos deixam mais felizes e criativos (apesar de nem sempre parecer).

Existe alguma coisa que está a desviar o meu foco?

Se estiveres com algum problema ao nível pessoal ou escolar, é normal que não consigas estar tão focado. Muitas vezes, mais vale perderes algum tempo a resolver esse problema para depois o tempo de estudo ser mais rentável.

Se diariamente fores pensando nestas perguntas vais ver que na altura dos testes ou exames é muito mais fácil manter a cabeça no sítio.


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