Por uma vez, olha as estrelas!

Redatora com Futuro
9 Maio 2019

Julgo que nunca houve sociedade que se mexesse tanto como a nossa. A nossa sociedade perdeu a capacidade de andar; a nossa sociedade apenas corre. Reconheço que isso não é algo que façamos apenas em algum momento particular da nossa vida. A correria tornou-se a base frágil dos nossos dias em geral; sustém a nossa respiração e a nossa vida agitada. E isso deixa-me indescritivelmente triste.

Acho importante escrever sobre isto hoje e agora, para que o amanhã em que for lido seja o mais breve possível. Será que há tempo para quebrar o ciclo?
Tudo começa quando ainda vivemos imersos na maior das inocências. Quando não vamos brincar para a chuva porque não queremos molhar as botas. Quando temos prioridades erradas e não nos apercebemos. Quando adiamos a nossa satisfação por medo. Quando suspendemos a nossa felicidade, em busca do momento certo. Quando nos apercebemos de que as botas já não nos servem e que o momento passou.

Contudo, a fase a partir da qual a nossa satisfação pessoal vai sendo cada vez mais ameaçada é, sem dúvida, a do tempo de estudante. Por isso, por favor, não tires os olhos destas linhas. Acredita, tens uns minutos para as ler. Tens uns minutos para respirar. Tens umas horas para te divertir. Tens uma vida para viver.

“Quem não acabar a cópia a tempo não tem intervalo.”; “Quem fizer a pior apresentação leva trabalhos de casa extra.”; “Quem não tiver uma boa média não entra na faculdade”. Ahhh... os “quem”! Os “quem” que todos conhecemos e tanto detestamos. Os “quem” que nunca ninguém quer ser. Os “quem” que nos fazem trabalhar ao máximo para fazer parte dos bons, dos prestigiados, dos “privilegiados”. Isto, pelo menos, até descobrir a segunda face da moeda.

O trabalho e o esforço compensam. A cópia acaba-se, o trabalho de casa faz-se, a média sustenta-se... E o aluno? Será que se sustenta? Apesar disso, ao fim do dia, ser bom é bom o suficiente? Por uns tempos, talvez...mas as coisas mudam. Os bons querem ser muito bons, os muito bons querem ser excelentes, os excelentes querem ser perfeitos, os perfeitos não existem.

Até onde somos capazes de ir e quanto estamos dispostos a pagar? O destino que tentamos alcançar compensa todas as partes de nós que vamos deixando pelo caminho? O que importa onde estamos se não sabemos de onde viemos? O que importa que o mundo nos conheça se nós não soubermos quem somos?

Apenas peço que caminhem. O esforço é louvável, a ambição é dúbia: uma força ou um veneno. Por isso, respirem. Caminhem para o sucesso, flutuem pela vida. Permitam-se sorrir, obriguem-se a gerar sorrisos. Aprendam sobre a vida, aprendam a estar vivos. Se algum dia a vossa ousadia vos permitir, parem. Parem e olhem para vocês. Parem e olhem para o mundo. Parem de olhar para livros, parem de olhar para datas. Parem. Parem e olhem para o céu. 

Por uma vez na vida, todos merecem olhar as estrelas.