O perfil do universitário: Dependência económica, falta de motivação e satisfação com o sistema

Luís Alves Vicente
Editor Inspiring Future
4 Julho 2018

Portugal é dos países onde os alunos mais dependem da família para tirar um curso é uma das conclusões a que se pode chegar através do relatório eurostudent. O documento, que avalia as condições sócio-económicas da vida dos estudantes na Europa, foi disponibilizado esta semana e apresenta vários dados que permitem tecer o perfil do aluno europeu e português.

41% dos estudantes inquiridos que revelaram terem feito um interregno - 7% ao todo, valor em consonância com a média - apontam para as dificuldades económicas para essa pausa. "Nos 28 países analisados, a percentagem dos que alegam o mesmo é de 27%", conta o jornal Público.

Sendo que em Portugal os jovens ficam até mais tarde em casa dos pais, os gastos relacionados com o Ensino Superior acabam por ser suportados pelos mesmos. Na verdade, e segundo avança o mesmo jornal, os estudantes, de modo geral contribuem para menos de metade (44%) dos custos

Enquanto a média europeia de alunos que ficam em casa dos pais durante a frequência no Ensino Superior é de 36%, o caso português é bem diferente: metade (49%) dos estudantes vive com os pais nesse período. No campo dos gastos, o valor de 44% acima apresentado baixa para 26% se contarmos apenas com aqueles que vivem em casa dos pais.

Já os que vivem sozinhos arcam com 60% das despesas relacioandas com o Ensino Superior. Para estas contas é importante ter em mente que os estudantes em Lisboa e Porto enfrentam custos mais inflacionados devido, sobretudo, ao custo na habitação.

A segunda maior razão para a desistência do aluno é a falta de motivação: apontada por 35% dos portugueses contra uma média europeia de 31%. Apesar de o documento não detalhar pormenores, num próprio estudo que fizemos com o questionário IF, pudemos apurar que com a falta de motivação prende-se com expectativas diferentes em relação ao curso escolhido.

Outras idiossincrasias: Trabalhar e estudar, transição e satisfação

  • Em Portugal não é tão comum ter um trabalho pago em tempo de aulas: 22% dos alunos dizem trabalhar regularmente, a estes somam-se os 8% que mencionam trabalhos ocasionais
  • 83% dos alunos (contra 86% no resto dos países) fazem a chamada “transição directa” do secundário para o superior
  • Nas universidades: 62% dos estudantes portugueses estão muito satisfeitos com a qualidade dos professores (a média dos 28 países é 65%). Metade dos portugueses também diz estar muito satisfeita com a organização dos estudos e os horários (a média é de 55%).

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