O Estado da Escola: Um olhar sobre a educação e o futuro

Redator com Futuro
15 Março 2018

O sistema de educação no ensino obrigatório em Portugal está desatualizado e não corresponde às necessidades atuais das camadas jovens na sua preparação para o futuro. Tal já foi várias vezes referido, e, no entanto, poucas ou nenhumas mudanças significativas foram feitas no modelo de ensino.

Como alguém que saiu há pouco tempo deste sistema, posso afirmar que dele retirei métodos e maneiras racionais de resolver problemas e de encontrar soluções. Foi esta a oferenda que o Ensino Básico e Secundário me ofereceram.

Digo isto porque a gestão psicológica do stress e do bem-estar, a gestão económica do nosso dia a dia, a capacidade de observar e analisar o panorama político em que vivemos, de maneira a conseguir tomar as decisões mais acertadas no que a este assunto concerne e a capacidade de resolver tarefas manuais supostamente básicas (trocar um pneu, uma lâmpada, cortar lenha, etc.) são exemplos de coisas que eu não aprendi na escola.

Poderá argumentar-se que estas são coisas que não se devem ensinar na escola, mas sim em casa por pais ou responsáveis. No entanto, estamos a esquecer-nos de que nem todos os pais possuem a disponibilidade para tal, e, à parte isso, é na escola que as camadas jovens se preparam intelectualmente para o futuro; portanto, por que é que também não haveria de ser o sítio onde se preparam psicologicamente e onde aprendem a realizar as tarefas mais básicas da vida adulta?

Pagar impostos, por exemplo, é para nós, um mistério digno dum livro de Agatha Christie. Poucos são os jovens que acabam o 12º ano, ou mesmo o seu percurso universitário, a saber como legalizar a sua situação perante a autoridade tributária. 

A orientação política que a maioria dos finalistas do Secundário possuem é próxima de zero. E isto é muito assustador, pois estamos a falar de pessoas que, regra geral, já terão cumprido os 18 anos de idade e, portanto, gozam do poder de voto. 

Agora, pergunto: como é que a população geral aceita com tal passividade que não haja o mais mínimo interesse em sensibilizar e em educar os jovens sobre o que é a política, quem são os nomes atuais da política, quais são os ideais que seguem, e muitas outras informações sobre as entidades que literalmente decidem a maneira como o nosso país funciona?

Com um modelo que conta com já mais de 100 anos, desenhado na época da Revolução Industrial - baseado praticamente só no ensino teórico, cujo método de avaliação consiste em premiar os que melhor conseguem decorar (ou copiar) a matéria e não os que mais facilmente e mais rapidamente desenvolvem respostas para as perguntas e soluções para os problemas - parece-me difícil que algum dia a Escola consiga formar pessoas que, aos 18 anos e saídos do 12º ano, estejam em completas condições de ser adultos, membros proativos da sociedade e capazes de se gerir, tanto fisicamente como psicologicamente e, acima de tudo, economicamente. Afinal de contas, passamos anos a ter de pedir autorização para ir à casa de banho e em questão de meses estamos a decidir a nossa futura carreira.

É preciso repensar os métodos de ensino, tomar uma atitude mais prática face aos alunos, ensinando-os questões básicas da vida adulta em sociedade, como pagar impostos ou como votar. Até me atrevo a dizer que os alunos deviam ser várias vezes e continuamente sensibilizados sobre “Como encontrar um emprego”, “Como arrendar uma casa”, “Como saber se estou a votar pela pessoa certa”. Há todo um manancial de questões e ideias que deviam fazer parte de um aluno recém-saído do Modelo de Ensino em Portugal, e, no entanto, quase nenhuma delas realmente o faz. Talvez um dia.