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Marrar ou barrar: Qual a receita para a sabedoria?

Sara Almeida
Redatora com Futuro
12 Janeiro 2018

Marrar. Aquela palavra aterradora que tantas vezes faz parte do nosso reportório de palavras. Aquela palavra que, numa transformação para emoji, seria o ícone número um da lista dos mais recentes utilizados pelos estudantes. Aquela palavra que significa tanta coisa, mas que traz mais sentimentos de desespero do que os seus sinónimos. Ou não fosse ela o purgatório de qualquer estudante. #marrar

Marrar significa estudar até mais não. E todos vocês numa altura, ou outra, da vossa vida sentiram que tinham de o fazer. Marrar é uma digestão mal feita.

Imaginem-se a comer, têm a boca tão cheia que custa a engolir, mas ainda vos estão a meter mais comida na boca, porque tudo tem de estar interligado para saber bem. Quando engolem tem de engolir tudo de uma vez. Quando cai no estomago, dói, mas não faz mal porque pelo menos já foi tudo. Agora a digestão vai ser lenta, e vocês ficam tão cansados que durante algum tempo não vão ter energia para mais nada. Mas têm de continuar a comer, não há outra alternativa. Agora imaginem isto com o vosso cérebro

Quem não conhece a sensação de, por exemplo, ter que decorar 200 páginas em três dias? Ter de decorar ossos e articulações na véspera? Ter de saber todo o funcionamento celular em 4 horas? Ou ter 5 minutos para decorar palavras chave que te vão ajudar a resolver alguma coisa?

Infelizmente o sistema de ensino tende cada vez mais a apostar num encurtamento do tempo de aprendizagem, enquanto acelera furiosamente na quantidade de matéria que temos que armazenar. E apesar da organização da informação ser uma competência essencial que todos nós temos de desenvolver, a verdade é que aquilo que se ganha mais neste círculo vicioso é a memória a curto prazo, a ideia que estamos a ser forçados a aprender, e todo o cansaço associado.

O problema de fazermos coisas forçadas é que toda a informação que poderia ser bastante útil perde-se parcialmente lá pelo meio entre uma obrigação de estudar, e o pouco tempo que temos para o fazer. Quando forçados a alguma coisa, o corpo cria barreiras, o que diminui a vossa disponibilidade para apreender.

O nosso cérebro é fascinante. Tu sabes isso, todos sabemos. 

Ele é capaz das mais fantásticas coisas quando há interesse em fazê-las, o que significa que se tiveres motivação vais aprender imenso e rápido. Se não a tiveres tudo vai ser uma batalha. É por esta razão que teres motivação para ler e para aprender, é a melhor técnica de estudo que possas encontrar. É a melhor maneira de fazeres tudo na verdade.

Alguns de nós encontramos motivação a ler, a resumir, a sublinhar com mil cores, a transcrever, a cantar canções, a fazer bonecos, porque alguns de nós somos mais visuais, outros mais auditivos, e todos nós temos maneiras diferentes de assimilar informação.

Seja qual for a tua motivação, encontra-a. Não estudes por obrigação.

Estuda porque queres saber mais, estuda porque te vai dar êxito profissional, estuda porque precisas de passar, estuda porque te lembra de alguma experiência de vida, estuda porque aquela informação vai ser útil. Se tiveres uma motivação não vais marrar, vais aprender. 

Se fores comendo aos poucos, o estomago tem tempo para processar a comida. Tem tempo para digerir. Todo o processo é mais tranquilo e os nutrientes são bem distribuídos para qualquer parte do corpo sem qualquer barreira.

Não vamos mentir, vão haver dias em que tu vais ter de marrar, se andas na faculdade é inevitável, mas procura ver a matéria como um todo, isso ajuda-te a perceber os pormenores sem teres necessariamente de os estudar. Imagina que tens de explicar a matéria a um amigo teu no café. Se tiveres uma imagem do arco-iris na tua cabeça, não precisas de decorar que ele tem sete cores, e quais são. Tu já o vais saber naturalmente. 

Portanto se não vamos conseguir mudar o sistema, vamos então adaptar-nos. Se não vamos conseguir decorar tudo, então que tal aprender com gosto?Imagina só a sabedoria que poderás vir a ganhar com uma motivação extra acompanhada por um Teorema de Pitágoras, e um chocolate.


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