Ensino Superior à vista: preocupações, dúvidas e certezas

Raquel Almeida
Redatora com Futuro
1 Agosto 2018

São três horas da madrugada. O número de pessoas online começa a ficar cada vez mais escasso. As mensagens das pessoas que geralmente são rapidíssimas a responder começam a demorar eternidades para chegar. Quando damos por nós, com a nossa cabeça ali no limiar do cansaço e da loucura, estamos a pensar acerca do futuro. É nesse momento que começamos a ficar preocupados.

Começamos a pensar no facto de termos propinas para pagar, e talvez a sentir alguma culpa por ainda não termos feito absolutamente nada nas férias. Começamos a pensar no facto de termos apenas umas décimas a mais da nota do último colocado do ano anterior. E nesse instante a nossa cabeça já se tornou apenas loucura, todo o cansaço se dissipou, e seja esse sentimento uma pequena depressão ou simples preocupação, faz com que nos reviremos mais dez vezes na cama até nos acomodarmos em posição fetal.

A situação começa a ficar de tal modo crítica que os relacionamentos também começam a ser postos em causa. Irão as nossas amizades mais antigas manter-se intactas na rocha, ou irão por aí fora até não as vermos no horizonte do mar? Teremos tempo suficiente para namorar ou tudo se resumirá a estudar? Já para nem falar no facto de quem vem de fora ainda poder ser tecnicamente sem-abrigo. É então que percebemos que, se fomos preocupados e ocupados no secundário, daí para a frente ainda mais seremos. Mas calma!

Começando pela história do secundário, não podemos esquecer que nem todos o acabamos ao mesmo ritmo; e nem sequer o concluímos com o mesmo passo... e das duas uma: ou cumprimos o nosso objetivo, tendo atingido uma grande média ou grandes probabilidades de entrar no curso que queremos, ou não atingimos o nosso objetivo, não tendo atingido uma grande média, ou pelo menos a necessária para o que queremos. Em ambos os casos, a sociedade é perfeitamente capaz de nos perturbar o raciocínio.

Ora temos notas para entrar no que queremos, mas tememos ir parar ao desemprego ou estar a desperdiçar as nossas capacidades, ora não temos notas para entrar no que queremos e tememos perder tempo da nossa vida fora da universidade enquanto os nossos colegas e amigos seguem o seu rumo. E por muito que nos digam que cada coisa tem o seu tempo, e de nada vale tentar apressar, deixar as coisas à mercê do destino parece ser uma enorme preguiça e irresponsabilidade! 

  • Em primeiro lugar, é importante compreender que no que toca aos estudos e no que toca ao mercado de trabalho, raramente há desperdício: os nossos conhecimentos, até mesmo os que nos parecem mais vãos, podem ser reutilizados. 
  • Em segundo lugar, é uma decisão nossa, e só nossa. De nada nos vale seguir o sonho dos outros se a história que está a ser escrita é a nossa. 
  • Em terceiro lugar, não podemos esquecer que podemos ser bons em qualquer áreas, em qualquer empregos, e podemos definitivamente marcar a diferença no mundo! Se tens média para ir para medicina, mas o que te excita é a história, só importa que dês todas as tuas energias para atingir o melhor. E o que pode ser melhor do que os teus sonhos?

É preciso voltarmos a ser aquela criança que se deixa atirar ao ar com a fé de que o pai a apanhará. Deixemo-nos, portanto, atirar em direção aos nossos sonhos, com a fé de que se fizermos a nossa parte, alguém nos há-de apanhar. E se depusermos todas as nossas forças num só projeto, e repetirmos para nós mesmos que ninguém o poderá fazer melhor que nós, então grande parte da tarefa já foi concluída. 

No fundo, sempre será mais fácil sermos bem-sucedidos na nossa área do que na área dos outros. Se houver talento, se houver esforço e se houver sonho, este ano ou no outro, na Instituição de Ensino Superior que tu querias ou na tua segunda escolha, no melhor curso da tua área ou no que tem a menor média, marcarás a diferença ao ponto de teres uma boa história para contar aos próximos principiantes. 

 


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