Propina máxima no ensino superior não vai aumentar no próximo ano letivo

Inspiring Future
22 Março 2016
A propina máxima que pode ser cobrada pelas instituições de ensino superior aos seus alunos vai manter-se, no próximo ano letivo, em 1063 anuais. Esse valor devia sofrer um aumento de 5 euros em Setembro, mas os partidos que apoiam o Governo aprovaram, esta segunda-feira, duas alterações do Orçamento de Estado (OE) que suspendem a sua atualização. Ainda assim, o PS chumbou uma parte da proposta do PCP que previa que as instituições de ensino superior apenas pudessem estabelecer novos valores de propinas inferiores aos que estão a ser cobrados atualmente.

 

O valor da propina máxima cobrada no ensino superior é atualizado tendo em conta a taxa de inflação, pelo que, no próximo ano, devia passar para 1068,56 euros. O congelamento do seu aumento agora aprovado vai, por isso, ter um impacto ligeiro no orçamento das instituições de ensino superior, uma vez que apenas quatro universidades (Aveiro, Coimbra, Lisboa e Nova de Lisboa) cobram, no atual ano letivo, o verba máxima permitida.

O Conselho Geral da Universidade de Aveiro já tinha decidido, no final do mês passado, “fixar as propinas no valor máximo permitido por lei” à semelhança do que vinha fazendo nos últimos anos. No entanto, como esse valor máximo não sofrerá variações em resultado das votações desta segunda-feira, os estudantes da UA vão continuar a pagar os mesmos 1063 euros anuais de propinas no próximo ano letivo.

A outra universidade que já definiu o valor da propina para o próximo ano é a do Porto, que decidiu em sentido contrário à congénere de Aveiro. Pelo quinto ano consecutivo, a segunda maior universidade do país não vai aumentar os custos da frequência das suas licenciaturas, que continuam a custar 999 euros anuais. Os mestrados e doutoramento mantêm-se também nos 1250 e 2750 euros anuais, respectivamente. A decisão foi aprovada por unanimidade no Conselho Geral realizado na passada sexta-feira e elogiada pela Federação Académica do Porto, pela “preocupação social” revelada pela instituição, “evitando agravar as suas condições de frequência no ensino superior”.

 

Nos próximos meses, as restantes instituições de ensino superior vão ser chamadas a decidir o valor das propinas para o próximo ano. Já na próxima quinta-feira é a vez da Universidade de Lisboa. Na segunda-feira, reúne o Conselho Geral da Universidade de Coimbra, ainda que não seja ainda certo se o tema constará da agenda. A Universidade do Minho só tomará uma decisão em Junho.

Nas duas propostas aprovadas, o PCP previa a suspensão da aplicação do regime de atualização das propinas, ao passo que o PS definia que se mantém em vigor o valor máximo da propina fixado para o ano letivo 2015/16. As duas medidas foram aprovadas, o que levou o deputado comunista Paulo Sá a questionar a presidente da comissão parlamentar de Orçamento e Finanças, Teresa Leal Coelho, se a alteração socialista não ficaria prejudicada pela aprovação anterior da redacção apresentada pela sua bancada. No entanto, Leal Coelho deu razão ao PS, considerando que a solução socialista tinha “um grau de precisão” distinto que a mantinha válida. Por aprovar ficou, no entanto, o ponto da proposta do PCP que previa que as instituições de ensino superior só pudessem reduzir os valores das propinas no ano letivo 2016/2017. A medida contou com o voto contra do PS.

 

Na votação na especialidade nesta segunda-feira, o PS chumbou ainda as propostas do BE para o ensino superior que estavam em cima da mesa. Os bloquistas defendiam a prorrogação por três anos dos períodos transitórios previstos nos Estatutos de Carreira do Pessoal Docente do Ensino Superior Universitário e do Politécnico – o prazo dado aos docentes sem doutoramento para concluírem esse grau e que, na maioria dos casos, se esgotava este ano – e também a criação de regime extraordinário de regularização de dívidas por não pagamento de propinas, que estabelecia um período de carência de pagamento pelo tempo necessário à conclusão do mestrado, acrescido de cinco anos.

 

Fonte: Público


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