Responsável pelo projeto Unlimited Future Norte

Salva o Mundo para pôr no Currículo

Categoria: Mãos à obra

Parece a Miss Universo: “quero realizar os meus sonhos e quero a paz no mundo”. Acho que é mais ou menos isso que as miúdas dizem, não é? Ninguém quer saber porque metade do mundo está a olhar para outras qualidades, se é que me faço entender. Mas fica muito bem dizer uma coisa destas. É igual à ideia de pôr uma experiência de voluntariado no currículo: mostras que queres salvar o mundo e as empresas ficam a acreditar que estão a contratar uma pessoa que se importa com os problemas da humanidade. Até compensa a média de final de curso que não foi espetacular.

 

 

 

FAZER VOLUNTARIADO, SIM OU NÃO?

Parece que estou a criticar mas seria um bocado estúpido porque até eu tenho experiências de voluntariado no currículo, certo? Apoio a 100% desde que se tire o melhor proveito. Para isso, e baseada na minha experiência, estão aqui algumas coisas que deves saber sobre voluntariado:

 

1. NACIONAL OU INTERNACIONAL

Eu já fiz os dois, por razões diferentes. A nível nacional quando ainda estava a tirar a licenciatura porque queria aproveitar melhor as férias de verão e perceber como era trabalhar numa área social específica. Entrei em contacto direto com as instituições tipo “Gostava de fazer voluntariado aí, pode ser?”. 
Fiz voluntariado em outro país recentemente porque queria ter contacto com uma cultura completamente diferente da minha. Para isso, há imensas intituições que têm programas organizados que facilitam a tua ida, como é o caso da AIESEC.

 

2. VOLUNTARIADO INTERNACIONAL NÃO É FAZER ERASMUS

Na primeira reunião na escola onde dei aulas na Indonésia, percebi que, no ano anterior, dois voluntários só fizeram uma semana e depois nunca mais lá meteram os pés. Acho que foram para Bali. Estão a ver a minha cara, não estão!?
A escola não parou por causa disso, mas os alunos ficaram à espera, os professores tiveram que alterar o programa das aulas e ficaram de pé atrás com os estrangeiros que querem fazer “voluntariado”. E lá fui eu, uma estrageira para fazer voluntariado e tentar mudar a imagem que a escola tem sobre isto. No final não fui eu que ajudei, foram eles que me ensinaram o que é perdoar e voltar a receber de braços abertos.

 

3. TU NÃO VAIS MUDAR NINGUÉM

Ao fim de duas semanas de projeto na Indonésia, os voluntários começaram a encontrar alguns problemas e a ficar chateados: as coisas não estavam tão organizadas como se esperavam e ouvi comentários tipo “Nem vou dizer aos meus pais o que se passa. Eles pensam que eu estou a mudar o mundo e afinal não estou”. Eu respondi: “Enquanto não perceberes que estás aqui para te mudar a ti, isto nunca vai fazer sentido”.
Independentemente do país para onde escolheres ir, tenta perceber a cultura para o choque ser menor. Apesar de eu o ter feito, sofri com isso na mesma, até perceber que não posso ir para uma coisa destas com o síndrome de “menina europeia mimada”, habituada a conceitos de trabalho, de organização e de vida completamente diferentes. Se queres mesmo ajudar, tenta perceber antes de julgar e põe esta experiência à frente do teu conforto. Só desta forma ficam os dois lados a ganhar.

 

4. É COMO FAZER SUMO DE LARANJA

Felizmente, ter experiências extra curso para compôr o teu currículo estão cada vez mais acessíveis. Infelizmente, tudo começa a ser banal e salvar o mundo, afinal, toda a gente o pode fazer independentemente das intenções que tem.
Todos podemos ter vaidade no que fazemos e ninguém faz voluntariado porque é 100% altruísta. E isso não tem mal nenhum. Mas no fim das contas, mais do que ter estas experiências, conta a forma como as explicas, como lhes reconheces impacto na tua vida, e como deixas que isso te transforme como pessoa.

 
Não é só ter as laranjas. É saber escolhê-las, saber espremer o sumo, e poder ser o melhor sumo de laranja que alguém quererá comprar.

 

 

 


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