Mãos à obra

Os incríveis profissionais de amanhã

Diogo Costa
Psicólogo Organizacional da Wilson Learning
26 Janeiro 2015

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Há um futuro para o mundo do trabalho que se aproxima a passos largos. Um futuro bem diferente daquele que agora é o presente. Um futuro com contornos bem mais apelativos e funcionais para as gerações mais novas. Um futuro que está ser feito não pelos dinossauros de outras eras (com o respeito merecido pelo que fizeram) mas pelos jovens do mundo, que cresceram a acreditar que a vida tem de ser mais do que trabalhar e que a felicidade é um direito de todos.

Os estudos mais recentes mostram que que gerações que cresceram no final do antigo milénio e durante o novo, vão fazer grandes mudanças no mundo organizacional, e que a maior parte das pessoas não está preparada para o que aí vem. A revista Forbes publicou os resultados de um estudo que mostra que em 2025, cerca de 75% da força de trabalho global será composta por pessoas que hoje apelidamos de “jovens”. São os trabalhadores de amanhã, que chegam ao mercado de trabalho com um conjunto de expectativas muito diferentes das gerações anteriores e têm uma visão diferente sobre como se deve trabalhar.

Essas mudanças começam já a notar-se no meio organizacional…mas é apenas o início. Com base no mesmo artigo da revista Forbes, aqui estão algumas formas de como as “novas gerações" estão a criar o futuro do trabalho:

 

Vão forçar as empresas a transparência das empresas – para as gerações mais recentes (onde eu me incluo), a transparência é uma das qualidades mais privilegiadas, portanto não será de espantar que quando chegarem a lugares de liderança, esta seja uma qualidade que vão procurar desenvolver no seu trabalho. As novas gerações não confiam na figura do “patrão”, chefe ou político, simplesmente porque não sentem que sejam honestos, especialmente pela forma como são retratados nos media. Eles querem criar uma cultura de abertura e honestidade, onde não há barreiras entre os trabalhadores de diferentes escalões e onde todos sabem o que se está passar com a organização.
Vão escolher cultura organizacional e um trabalho com significado acima de tudo – 30% dos novos trabalhadores dizem que ter um trabalho com significado é importante contra 12% dos gestores e 28% dos novos trabalhadores dizem que um salário alto é importante contra 50% dos gestores. Eles querem sentir que o seu trabalho vale a pena, que o que fazem tem impacto nos seus clientes, nos seus colegas e na empresa em geral. Não vão ficar no mesmo trabalho muito tempo se sentirem que são meros “tarefeiros”, desempenhando tarefas que consideram pouco desafiantes ou importantes. E não vale a pena tentarem convencê-los do contrário.
Vão fazer com que trabalhar de casa seja uma norma – nos próximos 9 anos, 41% da força de trabalho estará a trabalhar de casa. Apesar de muitos empregadores estarem relutantes com esta tendência, um estudo feito pela Gallup mostra que trabalhadores que trabalham à distância trabalham mais horas e estão mais empenhados. Num outro estudo realizado na oDesk nos Estados Unidos, 92% dos novos trabalhadores revelaram que querem trabalhar de casa e 87% querem criar o seu horário de trabalho, em vez de estarem “encarcerados” das 9h às 18h cindo dias por semana (quando não mais). Sei por experiência que muitos jovens e novos trabalhadores preferem trabalhar de casa a receber salários mais elevados. Valorizam a integração do seu trabalho nas suas vidas e não uma separação das duas como as anteriores gerações. Quando estiverem em lugares de liderança, todos os colaboradores estarão dispersos, mas fortemente conectados graças à tecnologia que já usam regularmente.
Vão nivelar as hierarquias – As antigas gerações respeitavam e valorizavam muito as hierarquias, o que não acontece com a nova força de trabalho. Importam-se menos com títulos, estatuto ou salários. Sentem-se mais atraídos a projetos que estejam ligados às suas forças e capacidades e valorizam mais os gestores que os apoiam, treinam e desenvolvem e que acima de tudo lhes dão autonomia para fazerem o seu trabalho da forma como o idealizam. A empresa Menlo Innovations criou uma cultura forte, em parte porque não têm gestores, apenas líderes, desta forma eliminando “sistema de comando e controle” que as novas gerações tanto detestam.


Por estas novas tendências, podemos perceber que se desenha um futuro muito diferente da atualidade. Um futuro que há 30 anos muitos diriam que era impossível mas que foi e vai crescendo com cada jovem que entra no mercado de trabalho. Um futuro que reflete acima de tudo aquele que é o maior desejo das juventudes de todas as épocas, mesmo que não o admitam: poderem continuar a ser eles mesmos. Poderem ser genuínos, sem terem de se descaracterizar pela necessidade de se adaptarem excessivamente a um conjunto de padrões que lhes são impostos e que nunca desejaram. A possibilidade de deixarem de ser a personagem principal da sua história. Sim, digo “deixarem de ser” porque se vocês são apenas a personagem principal da história, então quem é o autor?

Fica aqui o desafio. Não se deixem ser meras personagens na história que outros escreveram para vocês. O futuro é vosso. Escrevam-no!

 


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