Mãos à obra

Acabar com um frasco de Nutella em 5 minutos

Filipa Cunha
Responsável pelo projeto Unlimited Future Norte
12 Maio 2016
Quem diz que nunca se agarrou a um frasco de Nutella à colherada mente descaradamente. Quem nunca experimentou é porque não teve infância.

Bom, mudando de assunto: a minha mãe sempre me disse que sou teimosa. E eu acredito. Nestas coisas as mães normalmente têm razão. Mas não significa que seja sempre uma coisa muito má. Ora vamos lá ver:

Esta tipa (eu) quando mete uma coisa na cabeça é o elas. Tento até me provarem que não é possível. Eu lembro- me de dizer quando ainda estava em Portugal “o que era giro era trabalhar na Universidade de Sydney”. É quase como uma vez numa escola algures, um aluno me disse “o meu sonho é trabalhar na Coca-Cola”. Pronto, cada um com a sua pancada.

Candidatei-me 11 vezes para trabalhar na Universidade de Sydney. Acho que os tipos dos recursos humanos já me conhecem pelo nome. À 11º vez fui chamada para uma entrevista. Ía-me dando uma coisinha má. Estão a ver quando queremos muito uma coisa, e ainda não a temos mas começamos a fazer filmes como se aquilo já tivesse acontecido? Era eu. Mas não fiquei e comi um frasco de Nutella à colherada em 5 minutos.

 

Levar tampas não é para meninos. Aprende-se desde cedo sim (se os nossos pais ajudarem e não nos disserem que somos os melhores da nossa aldeia) mas é para quem se põe a jeito de levar umas pancadas e continuar a querer aprender sem deixar que a auto-estima fique afetada com isso. Tudo é muito mais “fácil” quando não nos mexemos e quando fazem as coisas por nós. Passamos entre os pingos da chuva e assim nunca sabemos o que é ficar molhado. Até ao dia em que não há ninguém com chapéu e pela primeira vez sabemos o que é andar e ficar encharcado.

 

Não conseguir alguma coisa que queremos é o que há de mais frustrante na vida. Coloca-nos numa situação de inferioridade porque se nós não conseguimos, alguém conseguiu. Isso significa que esse alguém tem alguma coisa que nós não temos. Pode ser verdade mas também é verdade que estamos sujeitos à opiniões pessoais de quem nos avalia e que isso, muitas vezes, está fora do nosso controlo (maior empatia, estado de humor, não gosta da maneira como nos vestimos…). Também podemos ser rejeitados porque nos metemos nas coisas sem ter a perceção do cenário todo e do trabalho que isso nos pode vir a dar (exemplo parvo: achar que podemos ganhar o MarterChef e não sabemos estrelar um ovo).

Moral da história: ter a consciência tranquila que estamos a dar o nosso melhor é a fórmula quase perfeita para não sermos tão abalados com a frustração de não conseguir algo que tanto queremos. Porque há coisas que podemos controlar (o nosso desempenho e preparação) e há outras que não (a opinião dos outros ou outros fatores externos). Saber isto deixa-nos mais relaxados, treinamos a nossa paciência, humildade e capacidade de adaptação.

Candidatei-me uma 12º vez por descargo de consciência. Consegui. Provei que a teoria da “à 3ª é de vez” é mentira e que consigo comer um frasco de Nutella em 5 minutos. Conselho para a vida: Nunca ponham a Nutella no frigorifíco.


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