Mãos à obra

A grande diferença entre o ensino superior e o mercado de trabalho

Luís Alves Vicente
Editor Inspiring Future
25 Setembro 2017
 
De há uns anos para cá a forma de as empresas e organizações contratarem tem sofrido alterações, muito por causa da democratização do ensino. O que queremos dizer? Que agora é mais fácil todos os candidatos a uma vaga terem a mesma formação de base e, por isso, há que ver outras formas de diferenciação.

 

 

E é neste ponto que entram as soft-skills. Estas divergem das hard-skills pelo facto de não serem propriamente ensinadas em sala de aula, mas sim adquiridas ao longo da vida e consoante as experiências que vamos tendo. Exemplos? Viajar sozinho, fazer voluntariado, praticar desporto em equipa, desenvolver projetos fora da tua zona de conforto.
 

Além disso, o mercado de trabalho onde hoje operamos está em constante competitividade e evolução. Segundo, Ricardo Gonçalves, especialista em recrutamento, e em declarações ao Expresso "tudo muda muito rápido e ou as pessoas têm essa capacidade de adaptação ou tornam-se obsoletas. Hoje, para se diferenciarem têm de fazer algo fora da norma”, defende.
 

 

 

Bom no ensino superior, insuficiente no mundo laboral
 

“A entrada nas melhores universidades do mundo exige um teste de aptidão, e conheci um aluno que ficou no percentil 90, podia ir para a universidade que quisesse, Harvard, Oxford, Standford, Cambridge... Mas não passou em nenhuma entrevista. Porque se relacionava mal, comunicava mal, era petulante”, cita o Expresso as palavras de Maria da Glória Ribeiro, fundadora da Amrop, empresa especializada em Executive Search, atração e seleção de executivos.
 
Ainda assim, ser bom na faculdade já vai sendo diferente e as variáveis de atividades extra ganham peso face à única e antigo meio de avaliação: a média. “Há empresas que ainda pedem quadros com média 16 ou superior, mas consultoras como a Deloitte, a PwC ou a KPMG já contratam com média 13/14, empresas que se têm tornado menos atrativas para os jovens recém-licenciados por causa dos horários. Vão ter de repensar essa questão”, explica ao Expresso Vasco Salgueiro da Michael Page, empresa especialista em recrutamento
 
A lição que tens de reter é a seguinte, e foi-me dita por um professor na faculdade: "O que um recrutador vê quando olha para uma média é 'alguém que eu não conheço, com padrões que eu não conheço, avaliou uma pessoa que eu não conheço com x valores'

 


DEIXA UM COMENTÁRIO

Tens alguma dúvida?
Vamos ajudar-te a esclarecê-la!